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18 de março de 2012

Como criar projeções financeiras confiáveis

Reajuste de aluguel, água e luz, aumento de salário dos funcionários, mudanças nas taxas de câmbio e na incidência de juros sobre produtos. Esses e outros fatores fogem ao controle do empresário, mas o afetam diretamente. No entanto, estratégias para lidar com todos esses itens, bem como, simplesmente, prever a quantidade de dinheiro no bolso ao fim de um período, dependem da saúde financeira do negócio.

É comum entre pequenos empreendedores, muitas vezes focados na parte técnica do negócio, não dar importância à projeção de finanças.
Com isso, surgem probelmas causados por projeções incertas e muito distantes da realidade do negócio. Isso pode causar dificuldades como estourar a conta ou não ter dinheiro para pagar um fornecedor, que poderiam ser evitadas com um simples planejamento.
“Se traçar custos e gastos com antecedência, o empresário consegue negociar prazos de pagamento e criar uma menor dependência de recursos de terceiros. Além disso, é possível tomar decisões sobre estratégias de cabeça fria, sem pressa”, destaca o consultor Márcio Iavelberg, da Blue Numbers consultoria empresarial.
Para o consultor do Sebrae-SP Luís Lobrigatti, a projeção funciona como uma bússola que guia o caminho da empresa e, por isso, deve ser muito bem feita e confiável. “O planejamento indica como vai vender, atender o cliente e qual o prazo que vai dar para pagamento e entrega. Toda a funcionalidade da empresa estará atrelada a essa projeção e evita que o empresário fique à mercê dos acontecimentos”, diz Lobrigatti.
Ou seja, fazer uma previsão financeira o mais próxima possível da realidade é fundamental para minimizar riscos de falência, além de reduzir a incerteza com relação às tomadas de decisão.
A principal recomendação é ser criterioso e ter bom-senso. “Projeção é um número incerto, baseados no histórico e validados em função da percepção do mercado, mas que deve estimular o trabalho para ser atingido”, destaca Lobrigatti. Além disso, é essencial ser sincero no momento de prever os custos e também as vendas. Caso possível, pode-se, inclusive fazer uma projeção mais favorável, outra para um cenário pior e, mais uma, projetando uma estabilidade.
De acordo com o consultor Márcio Iavelberg, o fluxo de caixa é um método que funciona como uma previsão detalhada e se baseia em definir as entradas e saídas que a empresa terá. “Com base em itens como faturamento passado, o que ainda se tem para receber e gastos fixos, consigo projetar se terei dinheiro ou não”.
Lobrigatti explica que o empresário deve levar em consideração a previsão de vendas, compras e gastos fixos. “Essa é uma forma de iniciar a projeção, pensando toda a empresa num período futuro”. O empreendedor junta o que vai receber de vendas nos próximos 3 ou 6 meses com o que já fez de compras e precisa pagar. “Uma atenção especial à inadimplência dos clientes. É bom calcular a média de atraso nos pagamentos para se programar também em função disso”.
Além de vendas e compras a realizar, o empreendedor deve considerar os custos com estoque, funcionários, impostos, seguros, entre outros. Também deve-se planejar investimentos como troca de frota de veículos ou equipamentos de informática. “Mas tudo dentro da capacidade da empresa, do que ela pode assumir de dívida e em quanto tempo terá que financiar para pagar.”
Levando em considerção o histórico do negócio, faz-se uma projeção dos próximos meses. “É um pouco menos detalhado que o fluxo de caixa, porque não considera todas as receitas e despesas diárias, mas o mês inteiro”, detalha Iavelberg.
Luís Lobrigatti ressalta a importância de se fazer projeções realistas. “Se o ritmo de vendas está em declínio, não é que se deva projetar diminuições, mas pensar em soluções para resolver isso”. Outro ponto que ajuda a tornar o planejamento mais real é considerar o cenário do segmento em que a empresa atua. 




Fonte: Exame
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26 de fevereiro de 2012

A importância do fluxo de caixa nas MPEs- Parte II

A história de uma empresa é fundamental para aqueles que a gerenciam; relata todo seu desenvolvimento, seja ele positivo ou não. Existe uma frase bastante interessante que demonstra essa importância e que diz o seguinte: "A história julga só os resultados e não os propósitos." - Gregório Marañón. 
As intenções quanto as decisões tomadas são desprezadas; a história só dirá a você os resultados obtidos. Para as Micro e Pequenas Empresas, ou mesmo para aqueles que desejam iniciar um negócio, o fluxo de caixa é um ótimo contador de histórias. Mais do que isso, é uma ferramenta gerencial! Precisamos aprender que só existirá uma boa administração se houver mensuração, ou seja, medir o que se é feito através da leitura histórica dos números.
Então como implantar essa ferramenta de gestão? Precisamos, antes de tudo, conhecer as prováveis entradas e saídas do caixa da empresa. Isso é possível através do que chamamos de Contas a Pagar e Contas a Receber.

Contas a pagar: são as obrigações que a empresa possui. Ex.: contas de água, luz e telefone, de internet, pagamento a fornecedores, folha de pagamento, impostos, etc.
Contas a receber: são todos os direitos que a empresa possui. Ex.: recebimento de vendas a vista ou parceladas, restituições, etc.
O acompanhamento dessas informações é muito importante para um bom planejamento. Vejamos os exemplos:



    *As planilhas acima possuem dados básicos, cabendo ao gestor da empresa adaptá-las ao seu negócio.

Quando se implanta os relatórios acima, estamos tentando prever, ou seja, visualizar o futuro financeiro da empresa, verificar falta ou sobra de dinheiro e um determinado período. Por que esse estudo antes da aplicação do fluxo de caixa? Vamos pensar assim:

Caso 1: Um empreendedor abriu um negócio mas não sabe ao certo quanto será suas despesas mensais e muito menos a média da entrada de dinheiro para que seu sua empresa apresente continuidade.
Caso 2: Um empresário quer saber se terá dinheiro suficiente para comprar e manter uma moto com a finalidade de atender seus clientes mais agilmente.
Os dois casos acima necessitarão de uma previsão das entrada e saídas para que se verifique a disponibilidade de dinheiro para suprir tais investimentos ou adiá-los.
Observe agora o exemplo do fluxo de caixa:


Alguns pontos precisam ser ser ressaltados antes de começar a usar o fluxo de caixa:

  • Crie o hábito de registrar todas as movimentações financeiras ocorridas e a ocorrer. As ocorridas, no fluxo de caixa; e as que estão à ocorrer, no contas a pagar ou a receber.
  • Durante o decorrer do mês, os valores lançados no contas a pagar e a receber tendem a surgir no fluxo de caixa.
  • O fluxo de caixa é diário, podendo ter seus valores resumidos semanalmente, mensalmente, etc.
  • Dinheiro em banco carece muita atenção; são incididos sobre ele taxas, tarifas e encargos. Necessita de uma planilha semelhante ao fluxo de caixa (saldo em conta, depósitos, pagamentos, transferência, saques, etc), para verificação de seu saldo.
  • Os valores lançados no fluxo de caixa precisa ser realistas, ou seja, devem existir. Procure pedir nota fiscal de tudo e emita recibos; isso comprova que de fato entradas e saídas ocorreram.
  • Dê nomes aos seus lançamentos no fluxo de caixa. Ex: dia 01/02/2012 - Recebimentos - "pagamento a vista". Use essa mesma lógica  para o contas a pagar e a receber. Isso é muito importante para uma boa leitura das informações.
Até aqui podemos verificar que as planilhas contas a pagar e a receber são nada mais do que um fluxo de caixa que ainda não ocorreu! Por outro lado, o fluxo de caixa é justamente o acompanhamento dessas entradas e saídas junto ao caixa da empresa.
Uma boa análise do fluxo de caixa, com o auxílio do contas a pagar e a receber, pode revelar várias situações, como, por exemplo, programar-se para determinados pagamentos, evitar multas e juros, preparar-se para eventuais saldos negativos consecutivos no caixa devido a sozonalidade, verificar o momento certo para promover vendas com descontos (promoções), verifica se há a necessidade de se negociar dívidas junto a credores ou buscar empréstimos nas instituições financeiras, avalia o nível de inadimplência, verificar se o negócio está progredindo  e onde está tendo maior dispêndio de dinheiro na empresa, dentre outras já relatadas no primeiro post sobre fluxo de caixa.

Este tema é muito amplo e possui suas complexidades. Se houver o interesse no aprofundamento deste assunto, aconselho buscar informações sobre Gestão Financeira.
Estou a disposição para a responder a qualquer dúvida. 

Até mais ver!

Abraços. 
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