4 de março de 2012

Seja você o padrão de qualidade



Não é de hoje que este tema é abordado e pesquisado. Livros, artigos e afins, relatam seu surgimento no período pré-industrial onde a produção era de forma artesanal. Os artesãos (mestres) detinham o controle da confecção desde a escolha da matéria prima até a fase de acabamento e entrega do produto. Nesta época a baixa produção beneficiava quem atendesse com qualidade e precisão o trabalho solicitado.
Com o surgimento da industrialização e a implantação do processo de especialização a idéia de qualidade é desgastada, aja vista que o aumento da produção e do número de trabalhadores deixou inviável o processo de controle de qualidade, como ocorrera no modelo artesanal. A saída para este problema foi a padronização na fabricação dos produtos, dando enfoque o aumento da produção. O autor Gilmar Masiero (2007), diz que a busca pela qualidade se deteriorou e passou a ser apenas mais um aspecto funcional da produção.
A importância deste assunto toma força novamente durante a segunda guerra mundial, quando o exército americano adota padrões e procedimentos estatísticos para o controle da produção e distribuição de encomendas. Esses procedimentos rapidamente se espalharam entre as empresas que forneciam material bélico e logo em seguida foram absorvidas pelos demais setores da economia.
Problemas econômicos, crises, guerras, política, globalização, competitividade e escassez de crédito, foram alguns dos ambientes na qual a ênfase em qualidade nas empresas começou a surgir.
Logo após a última grande guerra, o interesse pela busca e controle da qualidade começou a se desenvolver mais intensamente no Japão. Contudo, esta preocupação não foi espontânea e sim imposta pelos americanos que participara da guerra na Coréia do Sul. Suprimentos eram comprados do Japão, sendo este obrigado a fabricarem produtos padronizados, gerando assim um sinônimo de qualidade. Outro fator eram as falhas constantes no sistema telefônico do país, que era usado pelos americanos durante a ocupação da Coréia. Todas estas imposições de modelos e padrões de qualidade foram implantadas para educar justamente tais setores.
Surge então, no Japão pós-guerra, a relação entre o desenvolvimento da qualidade e a produtividade, na qual um especialista chamado Deming (1990) se destaca. Ele verificou falhas que ocorriam na administração das empresas japonesas, advertindo que a falta de planejamento e a previsão de problemas acarretavam desperdícios de mão-de-obra, de materiais e tempo, elevando os custos de produção. Consequentemente, os preços repassados aos consumidores ficam elevados e com isso a empresa perde participação no mercado. Juran (1988), outro especialista nesta área, traz um conceito que complementa a busca pela qualidade. Ele afirma a existência de duas percepções: uma percebida pela empresa e outra pela pelos clientes. A primeira está ligada ao atendimento das especificações (mercado) e a segunda é a adequação das especificações ao uso, ou seja, criação de produtos que satisfaçam as necessidades dos clientes. (Gilmar Masiero, 2007).
Podemos verificar certa “imposição” para o alcance da qualidade. Os artesãos tinham a preocupação e atender de forma a agradar seus clientes, produzindo produtos sob medida. No início da industrialização é observada uma mudança de foco, ou seja, passa-se a atender padrões para uma alta produção.
Para entender toda a história que cerca o tema "qualidade", concentremo-nos em apenas um item. As pessoas.
A natureza humana por si só é de insatisfação. Quando um produto ou serviço chega a ser qualificado como "de qualidade", significa que as necessidades da(s) peossoa(s) foram sanadas, mas de forma momentânea. As pessoas possuem apenas picos momentâneos de satisfação, levando-nos a uma verdade absoluta: a busca pela qualidade não tem fim, apenas início e meio.
Ao analisarmos todos esses acontecimento percebemos que para se obter qualidade se faz necessário a utilização de padrões de avaliação, que desde a antiguidade já existiam. Quando levantamos críticas a um produto ou serviço é porque temos em nós, de forma subjetiva, um ou mais padrões que julgam tal situação.
Não irei aqui explicar padrões e normas existentes, como as ISOs, mas sim instigar os leitores através de uma frase extraída do livro "A cabeça de Steve Jobs". Jobs diz o seguinte:

“Seja um padrão de qualidade. Algumas pessoas não estão acostumadas a um ambiente onde se espera excelência.”

A vida me ensinou algo: não gostamos de cobranças. O ser humano não gosta mesmo! Mas elas são necessárias para alcançarmos a excelência. 
O mercado por si só já é um padrão de qualidade natural da economia. Se sua empresa produz produtos e/ou serviços que atendem de forma significativa as expectativas de seus clientes você pode ter certeza que o seu trabalho irá se destacar no mercado. Mas se seu trabalho não está se transformando em resultados positivos... o momento para pensar a respeito disso é agora.
Esse padrão natural que separa os produtos bons dos ruins, pode ter certeza... chegará à porta de sua empresa. E por que não antever essas cobranças? Por que você mesmo não se esse padrão de qualidade?
Podemos citar várias situações que prejudicam a busca pela qualidade nas empresas, como, por exemplo, a morosidade dos gestores e funcionários na construção da qualidade, a conformidade com a situação, ou simplesmente "a espera de um milagre". O que não podemos mesmo é deixar de pensar e questionar as situações, pois são as perguntas que podem trazer o desenvolvimento da tal qualidade desejada.
Na Física, ´para saber se um objeto está em movimento ou não, precisamos saber qual é o seu referencial. Esse conceito é aplicado facilmente para avaliarmos o padrão de qualidade nas organizações. A dica é: Busque referências no passado da empresa, nos concorrentes, sempre verificando como você trabalhou e como eles trabalham, trace metas e objetivos para mensurações posteriores.
Entenda que a busca pela qualidade engloba, além de clientes externos, todas as pessoas na qual a empresa interage, ou seja, funcionários e administradores bem como o seu atendimento, compra de produtos e/ou serviços, sua fabricação, venda e atendimento pós venda. Portanto, todos os departamentos precisam estar engajados para o alcance da qualidade.
Os avanços tecnológicos têm permitido às empresas avançarem com rapidez o alcance da qualidade através de máquinas, equipamentos e softwares, deixando a produção mais ágil e com menos custo.
O resultado disso você já pode imaginar... a qualidade será percebida como um diferencial competitivo, trazendo ótimos resultados no uso dos recursos e aumento da participação da empresa no mercado.

Estarei em um outro momento comentando sobre o sistema Just in time que também complementa este post.


Abraços!

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1 de março de 2012

Academia em loop infinito



A academia deveria passar os próximos anos a todo vapor tentando responder à pergunta: “como tornar o conteúdo de artigos acadêmicos atraente o suficiente para que as mentes transformadoras da nova sociedade possam consumi-los e, com isso, esses artigos gerem real impacto na construção de um futuro melhor?”
Artigos acadêmicos talvez sejam, para o cidadão comum e até para alguns acadêmicos, a mídia mais chata do mundo para se consumir. Doutrinados a gerar textos nada divertidos, contendo quase nenhuma narrativa, autores de artigos acadêmicos explicam as coisas citando somente autores de outros artigos acadêmicos e esses o fazem citando outros autores acadêmicos …. Pois é, a cascata de chatice e monotonia não tem fim.
Esse processo, exigido pela academia para que os artigos tenham validade, gera dois problemas graves. O primeiro é a total amputação da capacidade narrativa do pesquisador acadêmico, que, por ser doutrinado a escrever de maneira monótona, acaba com uma dificuldade tremenda de fazer o seu ponto valer e, mais do que isso, tornar o seu ponto interessante para quem está disposto a, através dele, construir e transformar as coisas.
A segunda é que a exclusão de outras fontes parte da premissa de que todo o conhecimento está contido em artigos acadêmicos, portanto eles são suficientes para embasar qualquer argumento novo. O que também não é verdade.
Pense nos criadores do Facebook ou até mesmo em qualquer outra start-up que está nascendo (ou morrendo) nesse momento, enquanto você lê este artigo. Qual a chance dessas pessoas se cercarem de artigos acadêmicos como fonte de conhecimento para alavancar seus empreendimentos? E sobre a chance delas escreverem artigos acadêmicos sobre suas experiências com eles? Zero.
Muitas das mentes brilhantes que viveram nas últimas décadas escolheram publicar seus achados em livros, blogs e afins. Essas  fontes são, literalmente, invisíveis para a academia. Ou seja, impossíveis de serem citadas e consideradas fontes “não confiáveis” para embasamento de conceitos.
Isso, talvez, tenha funcionado quando existiam apenas engenheiros, médicos e advogados no mundo. Hoje, diversas áreas de expertise foram melhor desenvolvidas, ou já nasceram fora da academia, obrigando-a a fazer o processo contrário e se adaptar para trazê-las para dentro de sua estrutura.
É utopia imaginar que, nesses e em outros casos, a primazia do conhecimento reside sempre e exclusivamente no contexto acadêmico.
Ao mesmo tempo, é delírio dizer que a massa de conteúdo gerada o tempo todo pela academia não pode ajudar. Sem dúvida alguma a academia detém conhecimento que pode ser extremamente útil para qualquer empreendedor em qualquer indústria. Conteúdo não é o problema. Mas de fato, artigos acadêmicos são projetados para quem consumir? Acadêmicos.
Mas se o conhecimento gerado na academia é formatado para acadêmicos consumirem, como esse conteúdo toca o chão no dia a dia da sociedade?
Bem … Ele depende de autores de livros que consomem esse conteúdo e geram versões “user-friendly”  do mesmo.
Esse modelo coloca a academia em loop infinito, gerando conteúdo para seus próprios integrantes consumirem e torcendo para que alguém faça a tradução do mesmo em formato mais interessante para o cidadão comum. Tradução essa que irá assumir o formato geralmente de um livro de prateleira, e, com sorte, se destacar no emaranhado de outros livros para, no fim, ser creditado como fonte “não citável” pela mesma academia que influenciou a sua criação.
Que sentido isso faz?
A exigência por parte do corpo diretivo dessas enormes instituições para que se crie um formato monótono e autista de representação de conteúdo cria um abismo que atravanca o desenvolvimento da sociedade pois distancia as pessoas comuns dessa importante fonte de conhecimento.
É fato que de citação em citação não se muda o mundo. O conhecimento precisa chegar à mão das pessoas que estão construindo a mudança. E, de alguma maneira, quebrar as barreiras para se integrar aos hábitos de busca pelo conhecimento dessas pessoas.
A indústria do livro está se reinventando para se tornar mais atraente.  Já passou da década da indústria de artigos acadêmicos fazer o mesmo.

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29 de fevereiro de 2012

Mídias sociais nas empresas

Para muitas pessoas elas são apenas um passatempo; para outras, tem se tornado indispensáveis na busca de informações e disseminação de idéias. Sua expansão é um fenômeno social que dia após dia alcançam pessoas de todas as idades e classes sociais. Seus resultados na sociedade são vistos com notoriedade, como, por exemplo, ajudou Barack Obama a se tornar o primeiro presidente negro dos EUA, organizou manifestações e protestos em países árabes (Primavera Árabe), tem revolucionado o jornalismo, reinventando propagandas e a interação entre empresa-consumidor.
Mas afinal o que são as Mídias Sociais? Mídias sociais são tecnologias  e práticas  on-line, usadas por pessoas para disseminar conteúdo, provocando o compartilhamento de opiniões, idéias, experiências e perspectivas. Em resumo, é o uso da internet através de plataformas disponíveis; como o Facebook, Twitter, Linkedln, Blogger, You Tube, etc.
Este tema é tão importante para as empresas pois está relacionado a uma área bastante importante. O Marketing.
Algumas pessoas possuem em sua mente um conceito equivocado de marketing. Entendem que o marketing é propaganda. Isso não procede.
O conceito de marketing é mais abrangente. Segundo a America Marketing Association, citado por Laura Figueira e col. (2009), conceitua que o "marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem criação, comunicação e entrega de valor para os clientes, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado."
E é neste contexto que as mídias sociais surgem para as empresas, dando auxílio a área de marketing e garantindo estreitamento no relacionamento com seus consumidores e clientes em potencial. Por outro lado há uma resistência por parte das organizações na utilização destas ferramentas pois receiam perder o controle da situação.  Como tudo na vida há riscos, a sua implantação e seu uso também possuem; porém, ignorar essa  tendência é rejeitar seus benefícios, que se forem bem utilizadas podem trazer uma série de vantagens.
O fato é que as grande e pequenas empresas precisam aprender a lidar com as mídias sociais; e o primeiro passo para isso é pensar de forma estratégica, ou seja, a sua implantação precisa ter uma razão, possuir objetivos.
Nesse planejamento, podemos destacar três áreas críticas que precisam de atenção: manutenção da boa reputação, aumento das vendas e participação no mercado, a melhora da gestão de conhecimento e inovação. Vejamos:
  • A manutenção da reputação está ligada a duas situações: construção da marca e o seu gerenciamento. Toda empresa investe na construção de sua marca; e isso requer investimentos em propaganda, publicidade. O que precisamos entender e que os consumidores possuem em suas mãos uma poderosa ferramenta de destruição/construção  de marcas sem nenhum custo, só precisam espalhar suas opniões sobre um determinado produto ou empresa nas mídias sociais. A entrada das empresas nas redes sociais surge justamente para monitorar e melhorar a comunicação com seus consumidores, dando-lhes retornos (respostas) rápidos, gerando assim o acompanhamento de suas marcas e produtos. Lembrando que sempre existirão pessoas irredutíveis quanto suas opniões na qual será difícil mudar uma impressão negativa e que ser omisso em não responder as criticas levantadas pelos consumidores é facilmente percebida nas mídias sociais, gerando prejuízos à marca.
  • O aumento das vendas está relacionado a facilidade com que esses canais de mídias alcançam milhares de pessoas a custos muito baixos. Neste caso, as campanhas de marketing precisam ser bastante criativas e únicas! Um exemplo dessa criatividade e unicidade está na  campanha da empresa Nissan através do comercial Pôneis Malditos. Foi uma febre nas mídias sociais se tornando uma campanha viral. Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan do Brasil, diz em entrevista ao site WebMotors que  "(...) pesquisas detectaram baixa lembrança da marca entre os consumidores brasileiros, queríamos um comercial que fosse alegre, divertido, que as pessoas sentissem prazer em comentar com os amigos no boteco, além de ser recomendado nos e-mails e nas redes sociais.”. Após seu comercial se propagar por todas as mídias sociais a Nissan obteve crescimento de 81% em suas vendas no ano de 2011. O segredo para o sucesso é estudar com cuidado as campanhas a serem lançadas nas mídias sociais. Até mesmo a simples melhora no serviço de atendimento ao consumidor já garante retorno, propaganda "boca a boca", fidelização e aquisição de novos clientes. Muitas empresas usam as mídias socias para se tornarem uma extensão do SAC (serviço de atendimento ao cliente). Deve-se tomar cuidado com erros nesses canais pois são expostos a uma multidão de pessoas, trazendo problemas difíceis de serem reparados a curto prazo.
  • As mídias sociais oferecem dados quantitativos importantíssimos para a geração de conhecimento e inovação. Profissionais especializados se encontram conectados a rede através de blogs, fóruns e sites especializados, que estão a disposição de qualquer funcionário da empresa, ampliando seus conhecimentos e sua capacidade de inovação. Diálogos nestes canais podem gerar benefícios agregando a empresa conhecimentos específicos sobre determinados assuntos, sem de fato, exigir treinamento. O aumento do nível de inovação nas organizações pelo uso das mídias sociais são enormes. A proximidade é tanta entre empresa-cliente que fica fácil ouvi-los a ponto de responder as críticas e aproveitar sugestões inovadoras que podem surgir nesses ambientes. Para as empresas isso se torna uma ferramenta de vantagem competitiva pois a detenção de tais informações pode  te colocar à frente de seus concorrentes.

Para começar a implantação destas ferramentas é preciso dar resposta a uma pergunta: "em quais canais os meus clientes e futuros clientes estão?". Isso é muito importante pois revela  onde seus usuários estão relatando as informações - críticas, sugestões ou apenas querendo um suporte ao que está sendo oferecido pelas empresas.
A compreensão desses canais a nível de funcionalidade deve ser levado em consideração,  seus horários de maior audiência e o perfil das pessoas que os usam, além da necessidade de tempo. Me refiro ao tempo em dois sentidos: o primeiro está relacionado a alocar uma pessoa para esse trabalho (profissional treinado); já o segundo e dar um certo  tempo para se alcançar a maturidade e o bom funcionamento destas ferramentas.
Mas será que as empresas precisam ter conta em redes sociais? Não. Mas carecem estar atentas para o que as pessoas estão fazendo e comentando. Isso é muito importante pois verifica se é necessário à empresa um reposicionar no mercado.
Nos tempos atuais há uma tendência crescente que nos torna cada vez mais móveis e interligados, graças a internet e aparelhos como o celular; e as empresas precisam se desenvolver a medida que a sociedade evolui.  Estar conectado a sociedade através das redes sociais e o uso inteligente das tecnologias disponíveis são fatores que destacam a busca pela excelência sem perder o verdadeiro foco empresarial. Atender as necessidade e desejos das pessoas.



Fonte: Mídia social, ISTOÉ Dinheiro, Revista Management - janeiro/fevereiro 2012 - 1, 2, 3 Estratégias de Mídias sociais.
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