4 de abril de 2012

Na dúvida, não contrate


O foco não é preencher funções, mas atrair pessoas talentosas dispostas a ousar, aprender e construir.

É possível afirmar que existe uma relação entre empreender com sucesso e aplicar rigor nos processos de recrutamento e seleção? A resposta é “sim”. Os lemas das empresas bem-sucedidas poderiam ser resumidos como “na dúvida, não contrate” ou “primeiro quem, depois o quê”. O foco não é preencher funções com os melhores candidatos, mas atrair pessoas talentosas com histórias valorosas, competências desenvolvidas por experiências marcantes e dispostas a ousar, aprender e a construir vínculos interpessoais sólidos. Depois de trazê-las a bordo, o empreendedor identifica os desafios pertinentes que esses indivíduos poderão assumir.
A realidade evidencia como a atração criteriosa está associada ao sucesso. As empresas de sucesso farejam pessoas capazes de escrever suas biografias, no mesmo instante em que protagonizam a história da organização, sobretudo porque se sentem alinhadas a ela em valores e propósitos. A organização, por sua vez, percebe que sua causa converge com o propósito de vida daqueles indivíduos a serem contratados.
Como inspiração, podemos citar a IDEO, empresa de design e inovação mais admirada do mundo. “Conseguir um emprego na IDEO significa convencer a tribo de que o candidato dará uma contribuição e se ajustará à cultura”, afirmam os autores do livro O Executivo e sua Tribo. Eles comentam uma prática da IDEO, na seleção. Os responsáveis agendam um almoço do candidato com 10 colaboradores representativos dos valores e das ambições da IDEO. Seus executivos brincam que, ao invés de almoçarem com o candidato, eles “almoçam” o candidato. O indivíduo é sabatinado e deve convencer os 10 de que terá sucesso naquela empresa e de que se adaptará cultural e tecnicamente ao desafio. Dave Kelley, co-fundador da IDEO, explica: “Se 10 pessoas estão comprometidas emocionalmente em tornar aquela pessoa bem-sucedida, ela será”. Assim, a IDEO se protege contra escolhas erradas e preserva sua cultura.
Também é relevante analisar as razões pelas quais as empresas perdem seus talentos mais empreendedores. Segundo Pinchott, empresas reféns de crenças do tipo “nunca fizemos assim antes”, “sempre fizemos dessa forma” ou “isso não vai funcionar” costumam expulsar os profissionais mais ousados e inovadores. Também acabam expelidos aqueles que trabalham em ambientes intolerantes a erros e a certa dose de risco. O mesmo ocorre quando essas pessoas não são estimuladas a direcionar parte do seu tempo, experiência, habilidade e competência para se dedicarem a projetos inovadores que tenham para eles um significado especial. Essas empresas vivem sistemas rígidos de autorização e permissão, que acionam sua “imunidade à mudança”. Isto é veneno puro para os colaboradores mais empreendedores, que trocam rapidamente de emprego.
É preciso também criar uma cultura de aproveitamento interno. As soluções “domésticas” para preenchimento de vagas, sobretudo nos níveis gerenciais, são geralmente mais bem-sucedidas. Colaboradores que cresceram com a empresa, vivenciaram seus desafios em diferentes estágios e que respiram sua essência e cultura terão, em geral, maior comprometimento.
Não será heresia contratar pessoas de fora. Existem momentos em que é preciso “comprar” competências que não se encontram dentro da empresa. Em certos momentos, será importante contratar profissionais que venham de certas culturas e que exibam experiências que façam sentido para os desafios. O processo de atração deve assegurar o recrutamento e a seleção internos para abrir aos colaboradores as posições que podem ser preenchidas por “prata da casa”. Uma grande oportunidade para o empreendedor reforçar o fator GENTE como valor central. Quanto maior o aproveitamento interno, mais forte será a cultura organizacional e mais perene será sua essência.
A empresa não fugirá da necessidade de recrutar e selecionar profissionais externos. A pior alternativa será sempre a situação de urgência, em que uma posição for preenchida às pressas. Isso quase sempre ensejará erro. Será ainda mais crítico quando a posição for de liderança, com capacidade para comprometer as relações internas e externas. Qualquer processo seletivo deve ser conduzido com prudência, boas práticas e norteado pela cultura e essência. O desafio da posição, o tempo necessário para envolver os entrevistadores que suportarão a decisão e o formato do processo, ancorado em valores organizacionais, são aspectos que demandam planejamento. Trazer alguém inadequado será desastroso. Contratar alguém de afogadilho é perigoso.



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3 de abril de 2012

Composto de marketing - 4Ps




No post anterior "conceituando o marketing", verificamos a grande importância do marketing para as empresas, além de conhecermos sua principal função: comunicação entre empresa e o mercado, para garantir a realização de trocas (compras) visando satisfazer as necessidades e/ou desejos das pessoas e organizações.
Seria muito fácil e um equívoco muito grande apenas conceituar o que é o composto de marketing (4Ps). Eles precisam de outros conceitos, que iremos abordar, para sua correta utilização.
Antes de qualquer ação é necessário levar em consideração três pontos fundamentais de todas as organizações: sua missão, visão e objetivos. Esta preocupação é muito importante justamente para que tais ações do marketing não se desalinhem do planejamento estratégico organizacional, ocasionando uma “perda de identidade”, levando a deterioração da marca, dos produtos e por fim, a própria empresa. Em resumo, o marketing precisa ser desenvolvido para que o planejamento estratégico seja alcançado.
O segundo ponto que necessita de total atenção são as pesquisas. Elas tem por objetivo a busca por informações para compreensão do ambiente na qual a empresa se encontra. Meireles (2009, p. 87) divide tais análises em três grupos:

  • Pesquisa do macroambiente e do microambiente: pontos que dizem respeito à economia, legislação, tecnologia, demografia, política e cultura; concorrência direta e indireta, evolução do mercado e da demanda, diferenças regionais, crescimento de novos mercados.
  • Pesquisa sobre o comportamento, necessidades, desejos e características do consumidor/cliente: retrata o perfil demográfico e psicográfico do consumidor, bem como suas razões de compra, atitudes, opiniões, motivações de consumo, além de hábitos, costumes, necessidades e desejos.
  • Pesquisa do ambiente interno: recursos financeiros e humanos, infraestrutura, produção, tecnologia e etc.

Minadeo (2005, p. 21) conceitua pesquisa de mercado como “coleta de dados que possam ser úteis para as atividades de marketing. (...) A pesquisa de mercado, enfim, tem como objetivo manter a empresa provida de informações de modo a manter-se competitiva.”
Lembrando que as pesquisas só terão validade e utilidade se houver nitidez das informações na qual a empresa deseja conhecer. Caso isso não ocorra... haverá dispêndio de tempo e por conseqüência, de dinheiro.
Para complementar o pensamento de Meireles, Kotler (1998, p. 37) diz que o marketing fundamenta-se em quatro pilares, ou seja, todo o planejamento de marketing necessita considerar os pontos a seguir:

  • Mercado-alvo: nenhuma empresa tem a capacidade de atuar para satisfazer as necessidades de todo mercado e muito menos poderá fazer um bom trabalho se não focar em um nicho, ou seja, um público-alvo bastante específico. Ex.: empresa do ramo educacional que atua exclusivamente para crianças de 2 a 7 anos.
  • Necessidades dos consumidores: este ponto está diretamente relacionado ao anterior. Topo mercado-alvo carece de necessidades específicas e cabe ao marketing conhecer plenamente seus consumidores. Esta tarefa não é simples, pois existem situações onde as necessidades não são totalmente declaradas pelos consumidores, carecendo de uma interpretação. Ex.: O consumidor deseja comprar um carro barato. Barato em que sentido? Variáveis: no ato da compra, em sua manutenção, facilidade na hora de revendê-lo, etc.
  • Marketing integrado: Todos os departamentos da empresa trabalham de forma conjunta para anteder aos interesses dos consumidores, ou seja, todos os funcionários são conscientizados a trabalhar para o consumidor.
  • Rentabilidade: É o propósito final do conceito de marketing. Gerar lucro para as empresas. A regra neste ponto é a seguinte: Lucra mais quem melhor satisfaz as necessidades dos consumidores.


Todos os pontos abordados até aqui servem de apoio para avaliar, desenvolver ou compreender comportamentos e tendências, que serão utilizadas para uma boa gestão de marketing. As informações darão fundamentação para a utilização eficiente do chamado composto de marketing (marketing mix) ou simplesmente “4p’s”.
Kotler (1998, p. 97) conceitua o composto de marketing como um “(...) conjunto de ferramentas que a empresa usa para atingir seus objetivos de marketing no mercado-alvo”.
Agora sim... vamos à eles:

Figura 3.12 Os quatro Ps do composto de marketing. Fonte: (kotler, 1998)  

*O composto de marketing é bastante amplo e a figura acima cita alguns pontos abordados por cada item.
  • Produto: é a ferramenta básica e tangível do composto de marketing ou marketing mix. Sem ele o marketing não existe.
  • Preço: é o ponto mais crítico do composto, ou seja, é a quantidade de dinheiro que os clientes irão pagar pelo produto.
  • Praça: aponta como os produtos chegarão à mão dos consumidores, ou seja, sua distribuição.
  • Promoção: fator que promove e comunica os produtos ao mercado.

Mas como praticar o marketing na empresa? Os responsáveis por esta área precisam estar vigilantes à todos os pontos até aqui abordados, planejando e agindo no mercado na qual a empresa atua. É isso que faz toda a diferença!
Cada departamento organizacional tem a sua funcionalidade e seu grau de importância. Com o marketing não é diferente. Muitos gestores desta área afirmam que a área de marketing são "os olhos, os ouvidos e a boca" das organizações. Agora imagine você, em seu estado humano, sem estes sentidos; sem poder ver, ouvir ou pronunciar qualquer palavra? A vida seria difícil! Pois bem, existem milhares e milhares de empresas que nem se quer dão importância a esta área... ou executam as ações de marketing sem significado e direção. O mundo dos negócios deve ser complicado para tais empresas.

Pratique o marketing com racionalidade, qualidade e simplicidade, humildade e agressividade!

Concluo este post com a frase bastante verdadeira, que diz: 


"Planos não são nada; planejamento é tudo." Dwight D. Eisenhower (Presidente dos EUA)



Até a próxima;


Abraços!



Fontes:

KOTLER, Philip. Administração de Marketing. São Paulo: Atlas, 1998. 

MEIRELES, Roberto. Pesquisa de comportamento do consumidor: ponto inicial para melhor segmentar mercado e posicionar produto. In:____Marketing a teoria em prática. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2009.

MINADEO, Roberto. 1000 perguntas - Marketing. Rio de Janeiro: Editora Rio, 2005.
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21 de março de 2012

10 dicas para contratar e manter bons funcionários

 Contratar bem é a alma de um bom negócio; manter os talentos é o desafio! Todas as decisões que são tomadas pelas empresas construirão o seu próprio futuro; e o recrutamento e seleção de pessoas não fica de fora de tais ações. São as pessoas que desenvolvem o sucesso ou o fracasso de uma organização, tornando este processo muito importante para a eficiência e eficácia das organizações.

Segue uma lista de dez dicas que facilitam o processo para contratar e manter bons funcionários:


1. Identidade


O primeiro passo é ter segurança do que é a sua empresa. Como ela funciona? Ela ocupa o lugar certo no mercado? Danilo Nascimento, diretor da consultoria BPC PME, diz que “achar alguém certo é achar alguém com a cara do negócio”.  Por isso é essencial definir que cara é essa. “Você só vai conseguir montar a equipe perfeita para a sua empresa quando tiver clareza do que ela é”, complementa Nascimento.

2. Competências

Outro aspecto importante é definir as competências que o seu negócio precisa ter para atingir os objetivos propostos. A dica do professor Antônio Paulo Lage Terassovich, da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP), é mapear as competências que já existem, quando a empresa já estiver aberta, ou defini-las ainda no projeto.
É preciso ter humildade e ser crítico para saber o que não vai bem e precisa melhorar. O próximo passo é ir atrás dos profissionais que tragam as habilidades que faltam.

3. Seleção

É preciso pensar bem no formato da seleção, que pode ser feita dentro da própria empresa, por algum profissional de recursos humanos, ou de maneira terceirizada. Uma boa opção é contratar uma consultoria, que faz quase todo o processo, desde a atração até a triagem dos candidatos, deixando para o cliente apenas a palavra final.
A vantagem é que a seleção é feita por profissionais especializados, e o custo pode ser negociado, adequado ao perfil do contratante.

4. Escute mais do que fale

Algumas empresas de recursos humanos oferecem gratuitamente o serviço de atração do candidato, mas as entrevistas e testes devem ser feitos pelo próprio interessado. Se a empresa não tiver um profissional de RH e a seleção for feita pelo próprio empreendedor, é preciso cuidado na hora de preparar a entrevista.
Faça perguntas abertas, que deixe a pessoa falar. “Escute mais do que fale. Perguntas do gênero ‘como você é’ ou ‘conte-me sobre seu histórico profissional’ permitem verificar coisas essenciais, como o conhecimento da língua portuguesa, que em vagas com atendimento ao público é decisivo”, exemplifica Terassovich.

5. Conhecimento técnico

Nem sempre quem entrevista entende das funções do profissional que procura. Estude o currículo de seu candidato, tenha perguntas prontas sobre suas experiências e funções específicas. Uma dica é observar a terminologia que a pessoa usa, isso mostra que ela é do ramo ou não.
“O conhecimento técnico é a parte mais fácil de  avaliar durante a seleção”, diz Nascimento. Faça uma pergunta atrás da outra, sem pausa para que o candidato pense muito. Se alguma das experiências descritas no currículo não for verdadeira, ele vai se entregar nas respostas.

6. Valorização

Se funcionário e patrão ficam satisfeitos com o trabalho, é um grande sinal que a pessoa certa foi contratada.  “Quando uma pessoa está exercendo uma função que gosta e vê resultados em seu trabalho, a motivação é intrínseca”, diz Terassovich. O funcionário fica motivado, rende mais e pode crescer. 
Demonstre boa vontade em recompensar o bom desempenho, e vá além do tradicional aumento de salário. Estude as possibilidades de sua empresa oferecer uma promoção, viagens, benefícios extras, como um upgrade no plano de saúde, ou pagamento de cursos universitários.

7. Feedback

Quando estiver infeliz com alguma atitude, diga isso imediatamente ao funcionário. E quando estiver feliz, também. O feedback, que é mostrar ao profissional o que ele acerta e erra, é um método direto e simples de avaliação e pode ser aplicado diariamente. Tenha cuidado com a forma de falar, que não pode causar constrangimento.
O funcionário deve entender que seu trabalho é acompanhado e respeitado. Se aplicado corretamente, o feedback evita que erros se acumulem e  estimula que boas ações se repitam.

8. Transparência

Manter um modelo de avaliação que seja transparente não deixa dúvidas entre os funcionários de como está o desempenho de cada um. Assim, todos saberão os motivos exatos de estarem ganhando bônus ou aumento, quem vai ganhar mais por que teve melhor desempenho, e vão tentar repetir as ações premiadas. Transparência também é importante para que o funcionário não se sinta injustiçado e vá procurar valorização na concorrência.

9. Ambiente profissional

Fofocas e intrigas também frequentam as empresas e podem deixar seu funcionário desestimulado. Preste atenção em como está o clima entre as pessoas. Ser transparente em suas ações e na avaliação dos funcionários ajuda a manter o clima bom.
Ser direto e educado ao falar com todos os empregados também colabora para um clima leve. Evite brincadeiras se não houver intimidade suficiente entre você e as pessoas presentes na sala, para não causar mal entendidos.

10. Postura

O empreendedor deve aproveitar a estrutura da pequena e média empresa para se aproximar dos funcionários, fazer com que eles se sintam parte importante da empresa, e que eles consigam vê-la como um todo. É dando o exemplo de como seria um funcionário ideal que o empreendedor mostra aos seus funcionários o que fazer.
“Ninguém é um número na pequena e média empresa e isso dá dignidade, faz com que a pessoa se sinta parte importante do processo. O empresário precisa fazer o funcionário sentir-se parte da história”, aconselha Terassovich.





 
Fonte: Estadão MPE
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